domingo, 23 de outubro de 2011

Piolho de gabine assumido!

Sou daqueles que manda o motorista tirar o pé da embreagem enquanto dirige! O pedal da embreagem não é descanso de pé! Sou chato de passageiro!
Minha paixão por carros é antiga. Me arrisco a dizer que minha paixão por carros é anterior à minha paixão por mulheres. Tirando a Duda, minha princesinha, poucas coisas me relaxam tanto quanto a um carro. Seja dirigindo ou "fuçando" nele...
Aprendi a dirigir sozinho, aos treze anos de idade. Sou auto didata nesse assunto. Quase vinte anos após meu aprendizado, tenho o privilégio de ter o carro e a estrada como parte do meu trabalho. Enquanto que para uns isso é um martírio, para mim é uma dádiva, uma válvula de escape infalível da correria e dos problemas do cotidiano.
Gosto de dirigir, seja de dia ou de noite. A noite, sozinho, relaxo mais. Ao contrário de grande parte dos motoristas, a noite, em uma estrada boa, curto a viagem. Ouvindo um Soul no rádio (pra quem curte, indico Strange Fruit Project, a patroa não curte) relaxo enquanto "brinco" na pista.
Pra quem conhece Franca, minha cidade natal, na saída sentido sul, rumo a Ribeirão Preto, por exemplo, a estrada é um tapete. Passada a base da Polícia Rodoviária, três mil, três mil e quinhentos, quatro mil giros. Cem, cento e dez, cento e vinte, cento e quarenta quilômetros por hora até a primeira praça do pedágio. Por conta de algumas curvas, nesse trecho, não passo disso.
Pra melhorar essa sensação de liberdade, no meu caso e no meu carro, um escapamento esportivo não falta (esperem só pra ver o do Passatão). à medida em que acelero, o barulho, ou melhor dizendo, o som vai ficando mais grave, gostoso de ouvir. Com esse som eu fico me imaginando em uma pista de corrida, tangenciando cada curva! E isso é verdade! Me divirto sozinho!
Passada a primeira praça de pedágio (até Ribeirão Preto são duas, apenas), agora é hora de colocar mais um pouquinho de peso no pé direito. Graças ao "Sem Parar", não precisei parar e apenas uma reduzida pra quarta marcha já é necessário para passar a quase setenta quilômetros por hora sem levar a cancela no peito (se o papo das multas no pedágio for verdade, tô fodido). Na ponte sobre o Rio Sapucaí é o melhor ponto pra atingir a velocidade de cruzeiro, cento e sessenta quilômetros por hora. A quatro mil e quinhentos giros por minuto, o som do escapamento é o melhor! Aqui também os sinalizadores da rodovia, os famosos "olhos de gato" quase se transformam em um risco.
A noite, com Lua cheia, a vontade de desligar os faróis e andar a esmo é grande. Mas, as multas que essa atitude implicam me impedem de matar essa vontade! Sigo, de faróis acesos, pela pista da esquerda, apenas dando um pequeno sinal de luz alta antes de passar pelos meus companheiros caminhoneiros.
Mesmo andando pela esquerda, pista destinada aos veículos mais rápidos, sempre tem um "canhoto" que não desconfia e insiste em andar a sessentapor hora nesse lado. Um sinal de luz, nada. Dois sinais de luz, nada. Aproximando da traseira do "roda presa", a reduzida de marcha não falha. Assustado, o motorista de final de semana (que quase sempre está num "1.0") sai para a direita, muitas vezes sem nem dar sinal com a seta.
Pronto, passando por Batatais, mais uma praça de pedágio, mais uma reduzida. Que beleza...
Quase no final da viagem, o trecho que corta a "grande" Brodowsky também é uma reta que convida a acelerar o Santanão. Logo no final da reta, mais uma reduzida para passar por mais uma base da Polícia Militar e logo em seguida, o único radar do trajeto, que me obriga a voltar para os lentos cento e dez quilômetros por hora.
Termino por aqui a narração, após trinta e dois minutos em média, chegando a Ribeirão Preto, para em seguida voltar a Franca, totalmente relaxado, satisfeito.
Muitos não vão entender ou imaginar a sensação que tento descrever. Aos que imaginam ou sabem como é e também curtem, bem vindo ao clube dos piolhos de gabine (que graças a alguns radares fotográficos e suas respectivas multas, não são tão anônimos)!

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