quinta-feira, 10 de maio de 2012

Portadora de todos os dons, inclusive o de proporcionar as melhores sensações...

Como é ruim a sensação de chegar em casa e não ter, como sempre teve, uma amiga pra te receber abanando o rabo. Amiga essa que ficava feliz só em me ver, e a recíproca era verdadeira.
Era impressionante como um olhar falava muito mais do que qualquer quantidade de palavras. Era impressionante como um abano, ou não, de rabo denunciava como estava o humor dessa amiga. Inevitavelmente, sempre estava de bom humor. Fazendo chuva ou sol.
É estranho também não escutar os passos pesados pela garagem e quintal. Como quem sempre estava em estado de vigilância, essa amiga percorria toda a extensão da casa, com calma, minuciosamente, pra depois vir deitar onde estivéssemos. Não pedia nada, apenas queria estar onde as pessoas da casa estivessem, vigiando, guardando.
Vai ser estranho não ter com quer brigar pela mangueira na hora de lavar o quintal e garagem. Vai ser estranho não ter em quem dar banho todo sábado com essa mesma mangueira, motivo de altas disputas no melhor estilo cabo de guerra!
Vai ser estranho não ter com quem contar pra espantar vagabundo dormindo na porta da minha casa. Vai ser duro acostumar com a falta de alguém pulando no portão, acordando a vizinhança toda só porque passaram na minha calçada. Ou, pelo que parecia, na calçada dela!
Vai ser muito estranho não ter com quem ficar bravo pra sair do caminho enquanto tento guardar as compras do mês. Incoerentemente, vai ser muito estranho não ter com quem ficar bravo porque está subindo no carro pra fuçar nas compras que ainda estão no porta malas...
Não sei se vou acostumar a cozinhar, fritar ou mesmo pegar um ovo na geladeira sem ter ninguém pra tentar devora-lo, a qualquer custo. Com certeza não vou ter a mesma emoção de ter que fazer um omelete com um olho na frigideira e outro no "cachorro"!
Vai ser estranha a sensação de não ter com quem confidenciar angústias, alegrias e até mesmo algum segredo bobo, com a certeza de que o que ali fosse falado, ali ficaria. Não ter um dorso ou uma cabeçona amiga pra se apoiar sentado no chão também vai ser difícil de me acostumar.
Mas acho que a pior sensação que vou sentir é de ter a certeza que a mais sincera amizade que tive não vai estar aqui presente pra compartilhar minhas alegrias, tristezas, dor ou satisfação. A única sensação que tenho certeza que vou ter e não vai ser estranha é a de saudade. Obrigado por me fazer companhia nesses nove indescritíveis anos e proporcionar tantas boas emoções, Pandora!

domingo, 6 de maio de 2012

Dia de fúria criativa!

Almoçando durante uma viagem com meu amigo e colega de profissão Tarcísio tive a inspiração para a postagem de hoje. O mal humor que o Tarcísio sustentava durante os dois dias de viagem por conta da pressão natural do trabalho foram o estopim para começarmos a deliberar sobre alguns trechos que vocês poderão conferir abaixo. Em um brainstorming informal, começamos a imaginar como seriam os slogans se os criadores, no momento de dar aquele enter para enviar a proposta ao cliente, estivessem com o mesmo mal humor do Tarcisão...
Começando pelo ramo do comércio, o rapaz criador de slogans para as Casas Bahia de maneira alguma não poderia levar para dentro da agência os aborrecimentos da sua vida pessoal. Imaginem se isso acontecesse durante uma das mais bem sucedidas campanhas da rede dos Klein? Um rapaz xarope e irritante diria com extrema sinceridade a frase: "Quer pagar quanto nessa merda de marca que ninguém conhece?".
Passando para a área da saúde feminina, um produto que por si só já representa bem o período de mal humor das mulheres, não poderia ter como um de seus principais promotores o criador de slogans mal humorado. Se, inevitavelmente isso acontecesse, toda a raiva que a mulherada sente nesse período poderia ser constatado também nas (até então mentirosas) peças publicitarias. Para a Carfree, o slogan sincero e mal humorado seria: "Sinta o bem estar de ser mulher, mesmo com uma trolha enfiada na sua chavasca!".
Passando para o campo dos alimentos, o carinha que trabalha na agência que cuida da (mega) conta da empresa de fast food dos Arcos Dourados, vulgo Mc Donalds, não poderia se submeter a esse luxo de ir trabalhar mal humorado. Nem o Ronald Mc Donalds ia passar a imagem de uma empresa feliz se isso acontecesse. Se essa catástrofe ocorresse, o enjoativo slogan da rede ficaria da seguinte forma: "Amo muito tudo isso. A minha tireóide, não!"
Outro famoso restaurante que não poderia correr o risco de ter um publicitário mal humorado seria a também badalada rede de comidas australianas Outback. Nem as Orion Rings ou a suculenta Ribs on the Barbie salvariam o sucesso do restaurante caso o slogan principal fosse criado pelas mãos de um irritado estagiário. Nas peças, leriamos o seguinte slogan (digno de um marketing de guerrilha): "Explore seu momento Outback, dê o cú no deserto!".