Cinco e meia da manhã. Escuro ainda, me levanto e vou ao banheiro, ainda sonolento! Tomo cuidado para não errar o alvo! Volto, aliviado, e parto para o banho, mais para acordar do que para limpar.Banho tomado, parto pra cozinha, tudo isso silenciosamente, Pretinha ainda dorme. Abro a porta da varanda, recebo um abano de um "cotoco" de rabo como bom dia! A espera do biscoito matinal, Pandora não pula, mas é visível a alegria de ver o dono, de novo, como no dia anterior.
Um copo de leite, três colheres de Toddy, trinta segundos no microondas. Pronto, café da manhã! Também nessa hora, preparo o café da Pandora, repondo a ração comida no dia anterior. Água trocada também!
Escovar os dentes, checar a necessaire, fechar a mala. Depois disso, não tem jeito, tenho qe acordar a Pretinha. Mas não precisa levantar, é só um beijinho de bom dia, misturado com uma breve despedida.
Ainda escuro, já são quase seis da manhã. Pandora me acompanha até o carro, cheira o porta malas quando aberto e deixa eu colocar a mala, junto com a mochila do notebook, ferramenta de trabalho.
Carro ligado. Portão automático aberto. Marcha ré. Portão automático fechado. Estrada, companheira, aí vou eu. Francisco Marques, Padre Conrado, Avenida Santos Dumont, Candido Portinari, Prefeito Fábio Talarico. Depois disso, rumo a Passos, uma hora e cem quilômetros ainda tentano acordar! O sol já se faz presente.
Primeiro pedágio já se aproxima, o "sem parar" poupa meu tempo. No trevo de Pinhuí, sempre a mesma dúvida: mesmo caminho, ou o caminho mais longo? Apesar da dúvida, mesmo caminho.
Estrada vazia, geralmente um blues no rádio. "Ride with the King" é o preferido. Represa de Furnas, não tem como não se animar com a paisagem, principalmente nessas primeiras horas da manhã. Belezas naturais para trás, obras pelo caminho. Nunca um governador mineiro fez tantas obras rodoviárias. Nós, amantes da estrada, agradecemos!
Alfenas chegando. Outro momento de dúvida: por Nepomuceno, mais rápido? Ou o mais longo, por Varginha? Dessa vez o mais longo vence! Em Paraguaçu, parada obrigatória para o café da manhã nas "capozudas"!
Barriga cheia. Sol a pino, são quase dez da manhã. O caminho até Varginha já fica mais agitado. Escapadinha no atalho aprendido depois de um erro de caminho em viagens passadas... Um pouco mais de meio tanque já se foi. Parada no último posto onde o álcool tem um preço decente. O frentista também curte "Barão Vermelho", que toca no rádio nessa parada.
Abastecido e alongado, Três Corações. Alguém já reparou que a estátua em homenagem ao atleta do século é meio clarinha? Depois da repetida observação, Fernão Dias nos traz uma vaga lembrança das rodovias paulistas. O próximo pedágio também...
Muitas curvas tangenciadas imitando piloto de fórmula um e ouvindo "Pitty ao vivo", Lavras e sua terrível travessia nos aguarda... Já está perto da hora do almoço e o Jorge, que me espera para o mesmo, já ligou, reclamando porque ainda não cheguei. Como sempre!
Uma hora mais tarde, depois de ter xingado vários buracos acertados, São João Del Rei. Uma hora da tarde. O cafezinho das "capozudas" já foi digerido, assim como a garrafinha d' água...
Quinze para as duas da tarde, Barroso. Vocês sabiam que a maioria do cimento usado na construção civil sai desta cidade? Retorno feito, velha Maverick admirada no ferro velho às margens da rodovia, avenida que nos leva a Dores de Campos.
Mais quinze minutos de uma bela rodovia, sem movimento. Fábrica do cliente avistada, destoa da paisagem da cidade. Primeiro quebra molas. Segundo quebra molas. Terceiro quebra molas. O cheiro da comida da Dona Norma já se faz presente dentro do carro, com as janelas abertas e o ar condicionado já desligado. Almoço, rápida sesta, atendimento VIP ao cliente!
I love my job!



