
É engraçado que, mesmo perto dos quarenta, não me vejo, pelo menos psicologicamente, tão perto assim. Fisicamente, talvez. Já eram os cabelos. Aquela barriguinha não me abandona tão facilmente. Já era o basquetinho duas vezes por semana sem sentir, nessa ordem, a lombar/joelho/tornozelo. Mas os "quarenta anos" com toda a carga de experiência e, parafraseando o Tite, toda aquela "adulterabilidade", ainda me parecem muito distantes.
Tá certo que vai mudando um pouco as irresponsabilidades, assim como as responsabilidades. Mas ainda me vejo o mesmo "moleque" que começou o Tiro de Guerra, em 1998. De novo, o físico condena. Nessa remota época, eram, pelo menos, trinta quilos a menos sobre os joelhos. Puro pescoço e gogó! Mais nada. Mas ainda tenho aquela mentalidade jovem. Ainda faço planos pra daqui-não-sei-quanto-tempo na esperança (e quase certeza) de que irei cumpri-los.
Óbvio que as contas de agora não tem a mesma mentalidade, origem e finalidade. Minha responsabilidade não é apenas ensinar meu finado "filho" Pony, um simpático vira latas, a cagar e mijar no lugar certo. A filha "da vez" já sabe onde fazer essas coisas, mas não pára por aí. Tenho muito que, ao menos, tentar ensinar a ela ainda e por muitos anos a frente. Até agora, me parece que estou tendo sucesso, porém, com uma bela ajuda da mãe (essa sim já parece ter ultrapassado a barreira dos quarenta, mentalmente falando, pelo o amor de meus rins que serão socados caso ela entenda que estou falando fisicamente!!!). Assim como a origem/finalidade das contas, a ajuda é outra...
Tá certo que lá em 1998, a ajuda que tinha ao meu alcance, nem sempre foi levada a sério. Mas é a natureza. Enquanto não nos tornamos pais, a opinião dos nossos pais, muitas vezes não faz sentido pra nós, o que, pelo menos na época, acreditamos que nos credenciava a não segui-las. Por sorte, não sofri nenhuma consequência grave por essa negligência. Se a vida realmente começar aos quarenta, certeza que os mesmos conselhos de 1998 serão seguidos com muito mais afinco, em 2019! Espero poder ouvi-los ainda!
Enfim... Meus trinta e sete anos de hoje, mesmo já tendo vivido e visto muita coisa, ainda parecem recentes. Tenho a sensação (e o desejo) de ainda serem só o começo de uma vida, que, assim como dizem, está por começar. Daqui a três anos! Enquanto isso, enquanto não "nasço", vou aqui sobrevivendo a essa "punheta" que é a vida, antes dos quarenta!




