Não gosto e não concordo com o "endeusamento" de certas pessoas no que diz respeito a seus cargos ou ações. O heroísmo não pode ser fruto de uma ação da qual se tira o seu sustento, ou recebe algo em troca para exerce-la.
Nas últimas semanas, em paralelo com os capítulos finais da global Avenida Brasil (que é óbvio que tem muito mais audiência), o julgamento do mensalão vem deixando em evidência um ministro por suas ações. Joaquim Barbosa vem condenando e emitindo opiniões coerentes com a maioria da opinião pública em relação aos réus do esquema fraudatório ocorrido a quase sete anos atrás conhecido como Mensalão. Com isso, ele vem ganhando fãs e muita atenção da mídia que o coloca em uma espécie de pedestal em relação a demais ministros.
Não vou nem entrar na coincidência de que ele é negro e descendente de família pobre. Aí o conto de fadas ficaria mais bonito. Mas o que eu não consigo entender é que como alguém pode ser considerado o herói ou um deus apenas por cumprir exatamente o seu dever? E pelo qual é pago, diga-se de passagem...
Que a maioria dos réus desse processo são culpados, qualquer pessoa, por mais alheia a política que seja sabe, isso é fato. Não há dificuldade nenhuma em condena-los pelos crimes que ficaram mais do que públicos após as denuncias. O ministro Joaquim Barbosa está cumprindo a sua função condizente com o cargo que ocupa e pelo qual recebe um excelente salário.
Não quero desmerecer o ministro, muito pelo contrário. Porém as suas ações durante o julgamento não são novidade, pois ele está ali para isso. O que é de se admirar talvez seja a coragem que muitos não tem para exercer a função pela qual recebem como ele vem fazendo. Mas volto a dizer, isso não o torna um herói nacional.
Não coloco em xeque toda a história do ministro. O objetivo da postagem não é esse. O objetivo dessa postagem é mostrar que ele não está fazendo mais do que a sua obrigação. Assim como eu no meu emprego, ou você leitor, no seu. Somos pagos para executar funções pré determinadas e com as quais concordamos em nossas contratações (ou nomeação, no caso do ministro).
Como se já não fosse suficiente essa pseudo santidade a qual o ministro está sendo submetido, tornou-se Presidente do Supremo Tribunal Federal. Ou melhor, o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal. Assim como as cotas nas universidades, esse título retrata a posição extremamente racista que o Brasil tem, apesar de sua imensa variedade de descendência racial. Pra mim, esse título, tem o mesmo peso discriminatório do que se alguém falasse que ele fez um "serviço de preto" caso absolvesse um dos réus, contrariando a opinião pública.
Aguardemos o final do julgamento e torçamos para que o Joaquim Barbosa continue coerente e equilibrado como vem sendo até agora. Mas, no final do julgamento, com a maioria dos réus condenados, o ministro terá, pelo menos de mim, no máximo um "muito bem".


