Digamos que tirei uma semana de férias do Blog do XaXim... Tá bom, essa desculpa não cola né? Mas, fazer o quê? Minha profissão remunerada me toma muito tempo as vezes, fora do horário comercial também!E por falar em profissão, mais uma vez me peguei pensando sobre a minha. Comecei a ler um livro muito legal sobre cases de empresas e/ou empresários que passaram por crises financeiras ou posicionamento de mercado e depois deram a volta por cima, se tornando em grandes corporações e empresários de sucesso.
O livro em questão leva o título de "Oportunidades disfarçadas" (editora Sextante, do autor Carlos Domingos). No livro, o autor conta cases de empresas como Mc Donalds, Apple, 3M, Toyota, dentre outras corporações, inclusive sobre algumas nacionais também, como é o caso de Magazine Luiza, Açúcar União, TAM Linhas aéreas.
O livro, de leitura fácil e empolgante, é legal. Te abre alguns horizontes que no dia a dia você não consegue enxergar devido ao turbilhão de tarefas que a rotina profissional te emprega. Mas o que me chamou a atenção, negativamente falando, nas histórias das empresas e seus fundadores ou colaboradores de maior expressão, é que na maioria dos casos, todos eles quase bateram no fundo do poço pra depois alcançar o sucesso.
Logo no início, em um prefácio póstumo, li uma declaração do décimo sexto presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln sobre sua breve história profissional e política antes de se tornar presidente daquele país. É de desanimar qualquer cidadão! O cara frustrou-se em várias eleições para outros cargos, faliu empresas, foi demitido de outras, enfim, o cara tinha o perfil de um fracassado. No final do prefácio, ele, depois de muita insistência e "perseverança" se torna presidente de uma nação.
Depois de ler e absorver isso, paro e penso: e eu? Será então que nunca vou ser bem sucedido? A resposta eu mesmo encontrei, durante um vôo entre Campinas e Rio de Janeiro essa semana. Estava a caminho da capital fluminense para mais uma cansativa reunião para encerrar, enfim, as negociações para o fechamento de uma grande parceria com um grande fabricante de sandálias do Brasil.
Durante o vôo, meu companheiro de viagem, um outro gerente da companhia dormia, beirando o ronco profundo, quando parei, lendo este mesmo livro e refleti sobre minha carreira. Não posso dizer que comecei por baixo, já que trabalho em uma indústria e o piso de carreira seria, em tese, o conhecido "chão de fábrica". Não comecei tão em baixo, mas comecei como estagiário!
Sendo eu filho de um funcionário da mesma companhia, sofri pra tirar essa etiqueta. Engana-se quem pensa que por termos esse apadrinhamento a jornada é mais fácil, muito pelo contrário, por mais que você acerte, sempre terá a sombra de um pai, parente te encobrindo. Passei em vários níveis da empresa. Conheci vários setores da empresa, inclusive o produtivo, onde fui supervisor de uma equipe de operários por dois anos. Logo voltei ao meu ambiente preferido, a área comercial, onde estou até hoje.
Nunca tive altos e baixos na companhia, sempre tive uma carreira linear, com algumas rusgas, sim, mas nada grave, que me deixasse a beira do fracasso. Nunca fui demitido. Em meu primeiro emprego entrei, em meu primeiro emprego estou até hoje. Em pouco temo deixei de ser filho do Geraldo. Em pouco tempo, o Geraldo passou a ser pai do Guilherme dentro da empresa!
Hoje, onze anos depois (incluindo um ano inteiro como estagiário) ocupo um cargo executivo, sendo um dos mais jovens em toda a história da empresa a ocupar cargos semelhantes. Gerencio um negócio que em épocas de pico no mercado, chega a gerar quase dois milhões de reais em receita para a empresa. Tenho um salário satisfatório para o custo de vida onde vivo e para meus anseios pessoais. Como diria meu pai, "ganho mais do que preciso, menos do que eu mereço". Mas me considero um vencedor.
No resto da viagem entre Campinas e Rio de Janeiro, curti essa sensação de "dever cumprido". Meu dia ficou mais agradável. De segunda feira última, dia da minha viagem, até hoje, já sabia que esse seria meu tema para essa postagem. Agora, depois de publicada, mais uma vez a sensação de missão cumprida toma conta do resto do meu domingo! O duro vai ser minha "biografia". Não vou poder dar conselhos de como se levantar após uma queda profissional! Até hoje, não a conheço (e espero não conhece-la!).