domingo, 28 de agosto de 2011

Futebol (de criança que faz ) arte!

Em todo grupo de amigos, sempre tem aquele que "desgarra" do restante do rebanho. O grupo pode ser o mais seleto possível, mas a chance de um indivíduo ser a ovelha negra (nesse caso preta e branca) é grande. Quero dizer que todo grupo, por melhor que ele seja, sempre vai ter um Curintiano pra esculachar tudo! E onde tem um indivíduo dessa praga, sempre terá o futebol como assunto! Em uma dessas conversas, surgiu a idéia para a postagem de hoje!
O Curintiano em questão, é o Júlio César, o famoso Testa, um amigo da grande Birigui e que por muito tempo trabalhou no meio do futebol, como preparador físico, inclusive de grandes equipes, como o Atlético Paranaense.! Conversando esses dias, chegamos a conclusão de que no futebol  "midiatico" de hoje, acabou aquela história de jogar com o coração na ponta da chuteira. Acabaram os jogos emocionantes onde o placar só se definia realmente quando o juiz apitava, aos quarenta e nove do segundo tempo. Hoje, tudo não passa de uma grande propaganda de noventa minutos ou então, um desfile de noventa minutos.
Nos lamentando sobre isso, chegamos às lembranças das peladas de moleque na rua de casa. Aquilo sim era futebol de verdade! O campeonato da rua, que reunia uma molecada do bairro inteiro, tinha suas próprias (e justas) regras. E era seguido a risca o estatuto!
As regras se iniciavam com a estrela principal do jogo, a bola! Quando dizemos bola, queremos dizer qualquer coisa que possa ser chutada! Vai desde uma bola de verdade, aquela esférica cheia de ar, até uma pedra, com o mínimo de esboço de circunferência! Isso se estendia aos gols, que poderiam ser feitos de qualquer material, desde canos de PVC até mesmo os dois moleques mais fraquinhos da turma que nunca eram escolhidos para jogarem!
O tamanho do campo, assim como o número de jogadores variava de acordo com o dia e a quantidade de moleques que não estavam de castigo e poderiam jogar. Os limites do campo poderiam ser as guias das calçadas ou até mesmo os muros das casas da rua. O número de jogadores poderia partir de um contra um até trinta e três contra trinta e três. Nesse caso o tamanho do campo era proporcional!
A formação dos times também era justa e não dependia do poder aquisitivo de cada time. A regra era básica, os ruins, iam para o gol ou seriam o próprio gol, se além de ruins fossem também os irmãos menores. Os pernetas, mas que quebravam um galho, jogavam nas pontas, direita ou esquerda, dependia da perna que faltava. Os que usavam óculos, meio de campo, na armação. Desse modo evitavam choques involuntários e possíveis "vaquinhas" pra pagar as lentes quebradas. Os gordinhos, beque. Sem discussão. O ataque ficava por conta dos donos da bola e que na maioria das vezes jogavam de "kichute" pra não machucar os pezinhos!
A arbitragem sempre foi um setor a parte, ou seja, não tinha! Falta era só se o jogador caísse no bueiro ou fosse atropelado. Qualquer desavença, era resolvida na porrada (justa) onde os beques (gordos) sempre eram úteis! Ser um bom management, o famoso cartola, ao montar o time, era saber levar em conta essas variáveis! Sempre que uma partida chegava nesse ponto, o placar sempre era esquecido, prevalecendo o quesito de vitória o time que não apanhasse do outro!
A duração do jogo também era variável. Geralmente, durava o tempo necessário para o famoso "cinco vira e dez acaba". Mas também estava sujeito a intemperes externos, como por exemplo, o dono da bola ter que ir embora mais cedo (muitas vezes puxado pela orelha) por não ter feito a lição de casa. Nesse caso, não tinha como determinar a duração e não cabia recursos para ser debatido no "tapetão".
Que saudade desse futebol arte!

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