E esse negócio de torcedor? A novela Ronaldinho Gaúcho deu mais uma apimentada nas rivalidades... Novelas desse tipo, mais frequentes a cada dia, é que contribuem ainda mais para que não tenhamos ídolos como antigamente. Ídolos como o próprio Zico do Flamengo, Pelé no Santos, Michael Jordan no Bulls pra não citar só o futebol. Mais atualmente, Rogério Ceni no São Paulo, Marcão no Palmeiras, enfim, atletas que se identificam com seus clubes ao ponto de não ser possível imaginar um sem o outro.
Hoje, nós como torcedores, não podemos nos apegar a valores individuais de nossos times. Esses tais valores individuais podem não estarem conosco na temporada seguinte ou quando se findarem os contratos! Hoje a paixão pela camisa é rara e quando existem, mesmo assim não são suficientes as vezes para a permanência de um jogador em um time, seja ele de que modalidade for!
No esporte moderno o que se busca, talvez até mais do que vitórias, é um meio de vida. A tal profissionalização do esporte chegou ao seu extremo onde o valor do contrato supera qualquer convicção que o atleta tenha. Não se assustem se, amanhã, a proposta do Palmeiras seja melhor do que a do Corinthians e o Ronaldo Fenômeno vestir o manto verde. Ele fez isso com o Flamengo, que por sua vez, deu o troco no coitado do Grêmio, berço de Ronaldinho Gaúcho. Porém, essa atitude não é condenável. Se quisermos assistir a bons espetáculos, que é a verdadeira essência de um jogo, temos que apoiar a profissionalização e abolir, a cada dia, o beijo no escudo do uniforme no ato da assinatura dos contratos. Quem tem que ter amor pelo clube são seus torcedores. Atletas são meros funcionários remunerados.
No esporte profissional, a cada dia que passa, as cifras para os craques ficam cada vez mais altas conforme a habilidade ou apelo de marketing que ele tenha. Na verdade a possibilidade de lucro para os clubes é mais relevante do que capacidade técnica na hora de uma contratação. Tivemos os dois exemplos dos Ronaldos acima citados. Porém, este mesmo craque com contrato e/ou salários milionários são extremamente cobrados para que seu desempenho seja sempre excepcional. Quando não, o fator financeiro é o primeiro tendão de Aquiles para cobranças dos torcedores.
Com certeza na época do verdadeiro amor à camisa os espetáculos deveriam ser mais divertidos e prazerosos de assistir. Mas hoje, não temos mais a chance de ver um espetáculo passional, mas sim, um show extremamente profissional. E pagamos caro pra isso!

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