Talvez o maior e mais recorrente dos preconceitos seja o de que, para grande maioria dos preconceituosos, todo pobre é bandido. Aquela celebre frase de que "sou pobre, mas sou limpinho" não cola para os que julgam alguém pelas suas posses. Porém, o outro lado da moeda também não é santo. Abusar da classe social para conseguir benefícios, que para outras classes são cobrados, é uma prática bem evidente no nosso país e isso é perigoso pois, qualquer ação cometida por uma pessoa pobre, é justificada exatamente por esse rótulo social.
Não sou preconceituoso, muito pelo contrário, a segmentação, seja ela sócio-econômica ou racial, não me agradam de modo algum. Porém, assim como o preconceito, a hipocrisia não faz parte dos meus hábitos sociais.
Durante toda a semana que passou, se intensificando no final de semana, tenho visto notícias sobre o possível confronto entre polícia (autoridades) e moradores (possíveis invasores) do tal bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Quase todos apontavam para o que parecia ser um abuso de autoridade por parte da polícia. Uma ação unilateral, segundo muitas opiniões.
Sem saber a procedência e a propriedade da tal área onde esses moradores levantaram suas moradias, já achava um absurdo a polícia (ou o Estado) serem colocados do lado dos bandidos. Antes de mais nada, temos leis que precisam ser cumpridas, beneficiando a ricos e pobres, indiferentemente. Portanto, partindo deste preceito, uma área particular foi invadida irregularmente por cerca de seis mil moradores, pobres. Simples assim. Como manda o figurino do mundo capitalista e democrático em que vivemos, "a César o que é de César". A área particular deveria ser devolvida aos donos.
Em meio a isso tudo, li hoje que a tal área pertence ao falido empresário Naji Nahas e à massa falida da Selecta S/A, e que o próprio terreno faz parte dos planos de pagamento da dívida com a União. Bom, o fato do proprietário não ser dos mais idôneos, não abre precedente para que a área seja invadida. Na mesma linha de raciocínio, não é porque os moradores são pobres que isso lhes dá o direito de invadir uma determinada área. Até porque, duvido que metade dos moradores dessa área invadida, saiba quem é Naji Nahas e duvido mais ainda que metade dos diretores o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST), movimento que iniciou as invasões, sejam mais idôneos do que o próprio Naji.
Na minha opinião, o Estado não errou em permitir e ordenar que a Polícia Militar executasse a ação de reintegração de posse. Se foi violenta, os próprios moradores se prepararam e ameaçaram sobre isso. Porém, o Estado errou sim em permitir que seis mil pessoas precisassem invadir uma área particular para estabelecer uma moradia. Tendo cometido essa falha, o fato de a área invadida pertencer a um provável bandido é mero detalhe. Se não fosse ali, a invasão, justificada pela classe social, seria em outro lugar.

Um erro não justifica o outro. Errados os moradores por "tomarem posse" e muito errado o poder público por, de certa forma "permitir a invasão". E se há irregularidades, sinto muito, mas a polícia cumpre seu papel retirando-os do lugar onde jamais deveriam ter entrado. Um sério problema que será cada vez mais recorrente visto tamanhas falhas em nossas leis e fiscalizações.
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