domingo, 20 de novembro de 2011

Faça o que eu "compartilho" mas não faça o que eu faço...

Porque agente trabalha tanto? Ou melhor, para quê agente trabalha tanto? Bom, eu trabalho muito pra ganhar dinheiro e proporcionar a mim e à minha família, as melhores condições de vida possível. De quebra, no meu caso, ainda me divirto porque gosto do que faço. Acredito que a maioria das pessoas pensem assim, do contrário, teríamos sete bilhões de monges budistas optantes pela pobreza voluntária.
Nos últimos anos, um dos mercados que mais crescem, é o de convênio médico particular. A cada dia que passa, conforme a renda do cidadão aumenta, a saúde pública vem sendo substituída pelos tratamentos em hospitais particulares, e na maioria dos casos, graças aos convênios médicos pagos pelos cidadãos.
Desde o caso da Dilma e seu tumor, do finado José Alencar e agora com o ex-presidente Lula, tenho visto na Internet, nas redes sociais, apelos, mobilizações, protestos, etc, para que eles, figuras públicas, se tratem na rede pública de saúde. Tudo bem que são "representantes do povo" e têm que dar o exemplo, mas, quem em sã consciência, tendo condições, vai abdicar do melhor tratamento apenas para ser um mártir?
Me respondam com sinceridade quais de vocês, meus leitores, trocariam qualquer convênio médico particular somente para ser um bom cidadão e procurar a ajuda do Estado? Não vou chutar, mas acredito que as respostas vão ser contrárias a essa manifestação que muitos defendem.
Não podemos esquecer que Presidentes da República, Governadores, Prefeitos, assim como os ex de cada cargo público desses são (muito bem) assalariados e, em tese, pagam seus tratamentos no Albert Einstein ou no Sírio, com suas economias. Além do fato de que, obrigar alguém a se tratar em uma determinada instituição, seja ela paga ou não, é inconstitucional, acho que atitudes como essa não passam de uma hipocrisia política.
Claro que uma sociedade tem que protestar contra o que considera errado, abuso. Porém, na nossa política, há protestos que seriam muito mais importantes do que cobrar que autoridades e ex autoridades se tratassem em um hospital público.
O pessoal que defende esta tese esquece que, mesmo que alguma "celebridade" política resolva atender ao clamor popular, o tratamento que ele receberá em qualquer hospital público que for internado, por pior que seja, não vai ser o mesmo tratamento que o pobre que depende deste serviço recebe. Muito pelo contrário. Além de não receber o mesmo tratamento que todos, vai prejudicar ainda mais o mau atendimento a que a população é submetida.
O engraçado é que quando artistas (que também são uma figura pública) ficam doentes, ninguém faz protestos para que eles se tratem na rede pública. O engraçado é que quando uma pessoa próxima a nós depende de qualquer atendimento, seja ele público ou particular, sempre brigamos pelo melhor, pela mordomia, pela urgência, independente de quem esteja esperando.
Não temos que brigar pelo tratamento das figuras públicas no péssimo serviço de saúde pública. Temos é que brigar para que essas mesmas figuras públicas trabalhem para que a saúde pública, aquela que com certeza atende muito mais gente necessitada seja melhorada a altura dos grandes e caros hospitais particulares.
Nos próximos "protestos" virtuais que você for "curtir" ou "compartilhar" ou "retuitar", vamos procurar pelos mais úteis e racionais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário