segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cotas: uma exclusão amparada por lei.

Galera, tô de volta! Após cinco dias incomunicável, ciberneticamente falando, estou de volta! Mas eu merecia esse descanso!
A postagem de hoje tem a ver com esse meu período de descanso misturado com trabalho. Na sexta feira, participei de um seminário, promovido por um cliente para seus principais fornecedores, onde o assunto abordado está totalmente em evidência, a lei de cotas para deficientes físicos.
Ressalto que, como em todas as postagens desse blog, as opiniões abaixo são minhas, baseadas em minha experiência e percepção de vida. Preconceituoso é uma coisa que sem dúvida alguma eu não sou. Esse defeito não carrego em minha índole. Seja em relação a etnias, classe social ou em relação a defeitos físicos. Defendo igualdade entre todos, desde que capazes, de alguma maneira.
Para começar a "discussão", pergunto: quem pode ser considerado um deficiente? Hoje em dia consideramos deficientes apenas as pessoas que tem algum defeito aparente, porém, esquecemos que todos nós temos algumas deficiências. Por exemplo, eu, tendo todos os meus membros, enxergando e ouvindo perfeitamente e tendo minha saúde mental em perfeito estado (ou quase), não conseguiria pilotar um boeing, ou reger uma sinfonia, ou como já tentei, ser um jogador de futebol! Portanto, eu, em perfeitas condições físicas, tenho algumas deficiências!
Segundo a Lei 8.213, de 25 de julho de 1991, as empresas com mais de cem funcionários são obrigadas a ter em seu quadro um percentual (crescente de acordo com o número de funcionários) de funcionários com algum tipo de deficiência, seja ela auditiva, visual, física, mental ou múltipla. O não cumprimento destas cotas acarreta multas e em alguns casos, até prisões dos responsáveis pela empresa. Sendo uma lei com características sociais, não deveriam haver punições para quem não cumpri-la, mas sim, incentivos para quem aderir ao seu propósito.
Na minha opinião, que, neste caso, de humilde não tem nada, a lei de cotas que garante aos deficientes físicos vagas no mercado de trabalho nada mais é do que um meio de o governo "lavar suas mãos", transferindo a responsabilidade e, principalmente, os gastos que tem com um cidadão considerado deficiente aos empresários.
A lei de cotas que "garante" aos deficientes maior acesso ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo contribui para uma discriminação por parte dos funcionários considerados "normais" das empresas em que os deficientes, amparados pela lei de cotas, trabalham.
Todo bom profissional de recursos humanos sabe que em uma seleção para uma vaga de emprego, analisamos os pontos fortes de cada candidato para preencher os requisitos de um cargo. O candidato que tem o maior número de pontos fortes e o menor número de deficiências relativas a exigência do cargo, é o ideal para ser contratado, ponto. É lógica pura. Mas, com medo da lei, para preencher a cotas de deficientes físicos obrigatórias, algumas empresas passam por cima do profissionalismo durante a seleção e acabam contratando pessoas que não se encaixam no perfil desejado ao cargo, porém, contribuem para que autuações não sejam aplicadas contra a empresa.
Não podemos esquecer ainda que raramente vemos deficientes ocupando algum cargo de importância relevante em uma empresa. Aos deficientes, verdadeiras peças usadas para cumprir cotas, restam os "sub-empregos", reforçando ainda mais a discriminação à qual eles são submetidos no dia-a-dia das empresas.
Assim como com a cota para negros nas universidades, acredito que todos os que se encaixam nessa cota de deficientes, estão cada vez mais excluídos do meio social em que frequentam, sendo eles próprios os maiores colaboradores para que o preconceito sobre eles ganhe forças.

Um comentário:

  1. Acredito que a lei de alguma forma ampare dando oportunidades aos deficientes, pois da maneira que muitos vêem um deficiente, seria quase impossivel a oportunidade na vida profissional ou até mesmo pessoal. Agora de outro angulo e como um negro, não tive oportunidade de fazer faculdade não pela cor, "sabe que nunca parei para observar a cor do meu proximo" mas sim pela vida financeira, mas nem por isso me sinto excluído do meio social,será que alguem me excluiu!! Mas espero que um dia meu filho entre pela "mesma porta" da universidade com cota ou sem cota e tenha em mente que não é pela cor mas sim pela sua CAPACIDADE e até lá o preconceito tenha perdido a sua força!!

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